Existem alturas em que sustemos a respiração e ficamos assim por muito tempo.
Tanto que, quando nos apercebemos, quase que já nem sabemos respirar.
Mas respiramos. Gulosos e sedentos. O peito arde e nem consegue expandir. E o ar, o oxigénio, percorre o nosso corpo e alimenta-o e acorda-o. E quando expiramos vem a calma e começa tudo outra vez. Até reaprender a respirar novamente.
Muitas vezes, até vezes demais, dei por mim assim. A aprender a respirar através de cada inspiração e expiração.
Muitas vezes fiquei dormente. Por ser mais fácil sentir a dormência do que enfrentar a dor. Agora já não é assim. Continuo a suster a respiração muitas vezes.
Mas já não fico dormente. Agora opto por sentir. Sentir a dores no estômago, o aperto no coração, o nó na garganta. Porque sou feliz.
Mesmo nos momentos em que a ansiedade me toma o corpo e a mente, tenho aquela mão que me segura e o abraço que me protege. E que me aquece o coração. E sei que sou uma sortuda.
Estive seis semanas sem respirar. E depois de seis semanas que custaram e doeram no coração, voltei a respirar. Como nunca tinha feito antes. Com vontade e força que nunca tinha experimentado.
Toda a minha vida ganhou um novo sentido, uma nova força, uma razão mais forte. Era feliz há seis semanas atrás, mas agora sou ainda mais feliz.
Agora tenho tudo.
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