Reparei que ultimamente só falo da minha gravidez, da minha "nenuca", de como estou feliz, ou com medo, ou ansiosa, ou blablabla.
Não enganei ninguém, aqui no barraco escrevo o que quero e quando quero! Se bem que o quando quero alterar.
Preciso de escrever, para limpar a cabeça e a alma. É uma necessidade antiga, mas desde que estou em casa sinto essa urgência.
Nem sei bem sobre o que é quero escrever, mas preciso. Estou perto da demência.
Preciso de outras coisas agora que nem me apercebia que me estavam a fazer tanta falta, mas que me fazem tão bem. E escrever é uma delas,a principal até.
Sempre escrevi. Desde muito nova. Passava muito tempo sozinha e a folha de papel e a caneta eram o meu mundo. Nem precisava de mais nada. Entrava numa outra dimensão. Na dimensão dos sonhos, em que a criatividade e a imaginação criam vidas, personagens, histórias.
Nos dias menos bons, vomitava o que me ia no coração. Enterrava nas palavras a minha dor e, no fim de cada frase, de cada parágrafo, o coração ficava menos pesado, a dor ficava mais suportável. As lágrimas limpavam a alma, a escrita rejuvenescia o coração.
Resulta muito bem. E agora, tantos anos depois, preciso de escrever. Não por estar infeliz, mas só porque sim. Porque mesmo um coração feliz precisa de se expressar.
E não conheço melhor maneira do que esta das palavras.
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